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Anatomia do Coaching

A Influência da Atitude do Profissional Coach: Uma Abordagem Centrada no Cliente – Parte I

A Influência da Atitude do Profissional Coach: Uma Abordagem Centrada no Cliente – Parte II

 

A Influência da Atitude do Profissional Coach: Uma Abordagem Centrada no Cliente – Parte I

"O comportamento humano não depende somente do passado, ou  do futuro, mas do campo dinâmico atual e presente.
Esse campo dinâmico é "o espaço de vida que contém a pessoa  e o seu ambiente psicológico". "

Kurt Lewin

 

O coaching é mais  do que uma metodologia, que um conjunto de ferramentas ou que um aglomerado de  técnicas devidamente estruturadas e sistematizadas, é o encontro entre  subjetividades que visam o mútuo aprendizado e desenvolvimento baseados nas  necessidades, desejos e valores do cliente. As mudanças do cliente em coaching  iniciam ou se completam no encontro entre essas subjetividades.

Hoje, a vida, a  saúde e a doença, estão cada vez mais sendo abordados em termos de modelos e  impulsos energéticos tão comuns na neurociência contemporânea, assim como, em  tecnologias modernas como as encontradas no biofeedback. Todavia será que não  estamos deixando para trás sutilezas que muitas vezes não reconhecemos como verdadeiros  agentes promotores de saúde? Será que não estamos mais focados em novas ferramentas  e técnicas de ajuda e nos esquecendo de nossos aparatos internos humanos  perfeitamente arquitetados pela evolução de nossa espécie?

Às vezes  acredita-se que a ciência é tão sofisticada que já deveríamos saber tudo a  respeito de como ajudar os indivíduos de forma integral e sistêmica. Mas o que  vemos na prática é bem diferente disso. Será que com o advento da neurociência  e das descobertas da física quântica, estamos fazendo as perguntas corretas  sobre doença, saúde e natureza humana? Ou será que estamos presos a um modelo  de "ser humano" mecanicista e já obsoleto? Como cita a Dra. Shafica Karagulla  (1967):

"O homem está conscientemente caminhando  de um mundo de formas sólidas e estéticas para um outro universo de  configurações de energia dinâmica. Este é o seu problema e a sua oportunidade.  Prisioneiro dos seus cinco sentidos, ele sentiu o mundo como sendo "sólido",  "concreto", "rígido". Hoje, já penetrou num mundo fluido, intangível, de  energia irradiante, vibrante."

Será que a  expansão da tecnologia e das abordagens intervencionistas entre muitos outros  fatores não estão limitando a importância da interação humana no processo de  ser saudável? Será que mediante os avanços atuais podemos subjugar o campo  invisível e sutil que se forma no encontro entre dois seres na esfera do  inter-humano? Em meio a isso tudo, quem se habilita a ter certeza?

Este artigo  concentra-se principalmente na busca para sensibilizar para importância do  caráter ontológico da relação de ajuda em coaching centrado no ser humano (no  cliente), sem rejeitar os estudos e as abordagens centradas no processo,  técnicas, ferramentas ou as novas possibilidades. Assim, deixa-se de lado o  ceticismo e qualquer estreitamento para uma valorização multidisciplinar das  atitudes do coach que podem efetivamente contribuir com a relação de desenvolvimento/aprendizagem  em coaching. Como  citado por Richard Gerber (2000):

"A nossa própria compreensão do mundo físico  – quando vista a partir do nível subatômico da nossa constituição molecular  levou recentemente muitos cientistas e pesquisadores de ponta a acreditar que  os seres humanos são mais do que apenas máquinas biológicas com partes que  envelhecem e se desgastam. Se fôssemos apenas maquinas sofisticadas, poderíamos  perfeitamente satisfeitos com um melhor conhecimento das peças de reposição e  das técnicas para regular o motor biológico a fim de curar as doenças e os  estragos causados pela passagem do tempo."

O coaching aqui se  apresenta como um encontro entre subjetividades cujo objetivo primeiro é  favorecer o receptor no desenvolvimento da sua mais completa liberdade pelo  crescimento e desenvolvimento das suas próprias faculdades internas, isto é, de  seus próprios recursos interiores, sejam eles físicos, psíquicos ou emocionais,  propiciando o alcance de objetivos (metas) definidos pelo próprio cliente.

Desde a concepção  no organismo materno, estabelece-se a herança genética do novo ser que pode ser  um fator que liberta ou limita. Se por um lado temos a influência desses  fatores somáticos, por outro, não menos importante, temos as influências  psicológicas exercidas sobre o indivíduo desde o nascimento. Partimos do  princípio que é na esfera do inter-humano que se desenvolve a liberdade do  homem, e nesses encontros algumas relações são positivas e libertadoras, e  outras são negativas e limitativas. Desta maneira, conceituamos aqui a  liberdade como a aptidão de um ser humano de viver e de atualizar plenamente  todos os seus recursos interiores, através de influências positivas e  negativas.

Pode-se, portanto,  conceituar a relação de desenvolvimento/aprendizagem em coaching como uma  relação positiva e libertadora, uma maneira de ser e proceder no encontro  interpessoal que procura libertar na pessoa ajudada seu próprio potencial em  sua totalidade. Investe-se na auto-realização, despertando a capacidade daquele  que é ajudado a viver mais plenamente do que o fazia antes desse encontro.

Entenda-se aqui o  coach como um profissional de desenvolvimento/aprendizagem que exerce em nossa  sociedade funções cujo encontro seja positivo e benéfico àqueles com os quais  entram em comunicação, pois se dedicam à ajuda genuína para outros seres  humanos. Quanto ao termo desenvolvimento aqui se emprega como um processo dinámico de melhoria, que implica uma mudança, uma evolução,  crescimento e avanço para o indivíduo, a carreira ou a organização com início  no próprio indivíduo. Prefere-se usar o termo aprendizagem à ensino, pois, o  coach é um profissional que elicia dos clientes os seus próprios recursos ou  contribui para que ele possa criá-los. Assim, podemos nos referir ao coach como  um profissional de desenvolvimento/aprendizagem centrado no cliente.

Quanto à maneira  de proceder do coach, considero como ideal as atitudes profundamente adquiridas  e integradas, que são expressas congruentemente em seu comportamento e  influenciam positivamente o cliente. É imprescindível diferenciar aqui atitudes  e técnicas, que segundo Kerlinger (1964, p.483): "Pode-se definir uma atitude como uma predisposição a pensar, sentir,  perceber e agir de certa maneira em relação a um ser qualquer". Para o  termo técnica conceituo como o conhecimento prático de um conjunto de métodos e  pormenores de procedimentos exigidos para a execução de uma abordagem de ajuda.

Pode-se proceder  tecnicamente, em qualquer domínio, sem que as atitudes internas sejam  integradas e congruentes. As técnicas não designam necessariamente  comportamentos externos congruentes com as atitudes do coach, mas, a  experiência comprova que se esses comportamentos não forem a expressão externa  de atitudes internas, não resistirão à prática continuada da relação de ajuda  expressa no processo de coaching, conforme descrito por Saint-Anaud (1969, 121  – 123): "A fragilidade e não permanência  das técnicas que não brotam das atitudes internas foi demonstrada varias vezes".

Isso aponta para  que o elemento essencialmente orientador do desenvolvimento/aprendizagem será  muito mais a atitude expressa do coach  do que as técnicas que pode adquirir. Os  comportamentos externos docoach, para serem verdadeiramente libertadores,  deverão traduzir e exprimir os traços de uma pessoa, ela própria, libertada.

Algumas pesquisas  efetuadas sobre os resultados de relação de ajuda profissional deixam entrever  que estas relações denominadas "terapêuticas" são freqüentemente ineficazes  (EYSENCK, 1965; LEVITT, 1963). Uma relação de ajuda que não seja eficaz, isto  é, que não ajude o cliente a atingir os objetivos fixados por ele, juntamente com  seu orientador, se justifica em ser chamada ajuda?  Proponho que o coach eficaz se liberte de  ficar preso a uma única abordagem ou determinada escolha de técnicas para  tanto. No seu engajamento em relação ao cliente, utilizará de todos os meios  eficazes que ajudem o cliente a atingir seus objetivos, sendo a eficácia dos  meios determinada por sua relação mais ou menos direta com o resultado desejado  e da relação coach-cliente.

Não se refuta aqui  a possibilidade de que as relações nas quais o cliente verbaliza seus problemas  com coach simpático, possam ser gratificantes para ambos os parceiros. Mas,  reserva-se o termo "desenvolvimento/aprendizagem" às relações eficazes nas  quais o cliente sai, tendo aumentado sua capacidade de se desenvolver em suas  possibilidades de viver livre e em direção a seus objetivos e vivencia de seus  valores pessoais.

Dessa maneira  valoriza-se a eficácia do processo de  coaching, onde se destacam alguns pressupostos importantes:

1 - A eficácia do  coaching é aquela mais centrada sobre a pessoa do cliente, do que sobre o que  se convenciona chamar seus "problemas". Pode-se discorrer sobre "problemas",  mas o coach eficaz concentra seu foco nas pessoas. O coach não entra em contato  concreto com o "problema", mas apenas com o cliente; para o coach eficaz só  existe o cliente, que de uma infinidade de maneiras está satisfeito, feliz,  alegre, angustiado, ansioso ou criativo.

2 – A eficácia do  coaching é favorecida antes por uma abordagem positiva e libertadora, mais do  que corretiva. Sem negar a legitimidade de uma abordagem corretiva, aqui a  relação de ajuda se apresenta mais em termos de desenvolvimento/aprendizagem do  que em termos de correção e retificação.

3 -  A responsabilidade do cliente com os  resultados e a co-responsabilidade pelo processo de coaching deve ser clara,  como exposto por Lucien Auger (1977):

"O termo ajudar designa uma intervenção em  favor de uma pessoa, intervenção na qual o orientador une seus esforços aos  desta pessoa. Quer isto dizer, que o próprio termo implica que o agente  principal da ação é o próprio orientando. O orientador desempenha somente um  papel de assistência, subordinado a ação principal cujo agente permanece sempre  o orientando. Ajudar não é criar".

4 – Desenvolvimento/aprendizado  não é uma atividade ocasional na vida de um coach eficaz, é propriamente uma  maneira de viver. Se assim não for, o coach se exporá a ser continuamente  confrontado com problemas de conflito de papéis.

5 – A eficácia  nesse tipo de relação do domínio inter-humano depende em grande parte do  vértice das atitudes nessa interação, reveladas no caráter comportamental e  mental que se estabelece entre o coach e o cliente, cabendo ao coach a  responsabilidade como facilitador desse processo através de uma relação  empática, considerando Souza, J. F. B. (2005):

"Concluímos  que a relação empática deve se iniciar no momento em que ocorre este encontro e  deve ser mantida durante o mesmo, sendo que o receptor através de suas  oscilações expressivas nos oferece o feedback para percebê-lo integralmente e  agirmos de acordo com sua resposta de maneira intencional e cibernética. Embora  distante da cibernética clássica, mantem-se efetiva em alguns pontos: na  clareza dos objetivos da comunicação e na identificação dos resultados que  estão sendo obtidos junto ao receptor. O facilitador através de atitudes  auto-reguladoras e fortalecedoras de ciclos positivos reguladores, atingirá um  nível de sistema bem sucedido que tende a estabilidade, consistência e  harmonia. Uma maneira empática de se comunicar, atinge a excelência na  comunicação numa relação ganha-ganha".

É, portanto  primordial examinar as atitudes e influências do coach que vão transformar o  encontro interpessoal em um processo de coaching eficaz, propósito principal  desse artigo.

Desta maneira, são  atitudes fundamentais do coach eficaz:

1 - Autoconhecimento e autodesenvolvimento contínuo
2 – Congruência
3 - Reconhecer-se como um facilitador
4 – Confiança no potencial humano do orientando
5 - Respeitar a individualidade e diversidades do ser
6 – Ausência do juízo ou da avaliação
7 - Imediatez
8 - Compreensão empática
9 – Escuta ativa
10 – Amorosidade

Para ler sobre cada  uma das atitudes fundamentais do coach eficaz clique no link abaixo:

A  Influência da Atitude do Profissional Coach: Uma Abordagem Centrada no Cliente  – Parte II

Autor do  artigo: Flávio Souza
Formador  de Coaches da International Coaching Community
institutopublico.com.br
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Flávio Souza

Trainer Coach da Lambent do Brasil e International Coaching
Community (ICC), Consultor e Palestrante

flaviosouza@institutopublico.com.br
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